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Friday, 31 July 2015

Paralelo

7/31/2015 0 Comments


O mundo em si,
uma vala
de um lado a arrogância
de outro lado
Todo a ignorância do inteligente
Cadê o saber?

Pule, se jogue no infinito
Não seja só mais um finito
Fora da vala...
Se suje, lambuze, abuse
Há mais saber na lama
do que em um livro...

Samuel M. Pinheiro.

Thursday, 30 July 2015

A garota nova da sala. Parte V

7/30/2015 0 Comments

Tentando aprender com os erros do passado.


Ela estava diferente hoje...
O seu cabelo estava charmoso,
E ela estava lindamente bela naquele vestido.
Quando ele a olhou, só queria gritar:
— VOCÊ ESTÁ INCRÍVEL!
Mas tudo o que disse foi um “oi”,
Assim, bem tímido, sem levantar suspeitas.
Havia uma nova garota,
E ele sabia que quando aparecia uma nova garota,
Tinha de se ter velocidade,
Se não vinha outro mais veloz e a alcançava,
E todos os seus esforços teriam sido em vão.
Não adiantava, então, ficar a admirando ao longe,
Não adiantava ficar pensando nela,
Não adiantava ficar sofrendo toda vez que a via ir embora...
O garoto tinha de agir. Tinha de fazer alguma coisa.
Mas o quê? O que ele poderia fazer?
Toda vez que ele se aproximava as palavras fugiam de sua boca,
Toda vez que ele chegava perto o seu coração brincava em seu peito,
Toda vez que puxava um assunto, logo este evaporava.
Ela era muito para ele. Talvez fosse isso...
O garoto começou a fazer diversas indagações a si mesmo,
Perguntando-se se era capaz... Se teria coragem...
“Para tê-la você terá de dar o máximo de si...” uma voz sussurrava
“E, mesmo assim, poderá dar tudo errado”
O pessimismo era mais forte.
O que fazer, então? O que fazer para conquistá-la?
Havia muitos obstáculos por quais o garoto ainda tinha de passar.
Será que ele conseguiria desta vez?
Ou seria, mais uma vez, um fracasso?
Ele queria era dar a volta por cima,
Mas admitia... Era difícil.
— Mas não impossível! Vamos lá, coragem!
A garota estava ali, a apenas alguns passos de distância.
Tudo o que ele tinha de fazer era ir até ela,
Para começar, apenas fazer um elogio.
“Direi algo gentil hoje. Serei um cara legal”
A mudança teria de começar de algum lugar, afinal.
Então o garoto encheu o peito de ar, tomou coragem,
Levantou a cabeça e começou a andar em sua direção,
Pedindo licença para as dezenas de pessoas
Que cruzavam o seu caminho naquele salão.
As pessoas se afastavam, enquanto ele chegava mais perto,
Até que, enfim, estava ali, diante dela.
Era só ele abrir a boca.
Era só ele dizer o significado de tudo aquilo...
Mas foi tarde demais.
A garota se ajuntou a suas amigas e foi embora,
Sem olhar para trás, sem se despedir dele,
E foi o fim.
Mais uma oportunidade perdida.
Mais um fracasso na sua vida.
Felipe Ferreira

Wednesday, 29 July 2015

Consulta sentimental. Parte I

7/29/2015 0 Comments
Sobre aquela garota


Meu Coração e minha Razão estão tendo uma conversa muito séria neste instante.
A Razão, sentada à sua mesa, em seu escritório, analisa todos os documentos que tem em mãos. O Coração está sentado à sua frente, esperando...
— E então? — o Coração pergunta.
— Temos um problema sério aqui... Não sabemos se estamos apaixonados, se é apenas algo passageiro ou se essa é o tipo de garota com quem queremos nos casar... Faz quanto tempo que estamos com esses sintomas?
— Há um pouco mais de um mês.
— E ainda estamos assim?
O Coração fica aflito.
— É muito grave?
A Razão dá um grande suspiro, ainda analisando os papéis sobre a mesa.
— Pelo que vejo aqui, já deveríamos saber o que estamos sentindo...
— Mas por que essa incerteza?
A Razão vai até a gaveta mais próxima, retira uma pasta e começa a analisá-la com calma.
— Hum... Aqui está.
— O que foi? — o coração indaga, assustado.
— Aqui estão nossas lembranças... Nossas últimas experiências sobre esse mesmo assunto não foram nada boas. Por isso estamos tentando fugir de tudo. Por isso não queremos uma resposta. A verdade é que estamos com dúvidas sobre o amor.
— Mas nós a amamos, não é?
— Por que acha isso, Coração?
— Eu sempre fico acelerado quando a vejo, ou quando falo com ela...  e eu quase paro de funcionar quando a gente se abraça.
— Ok... Mas eu não sinto nada disso.
— Nada?
— Nadinha! Então não. Não pode ser amor.
— Mas eu sinto que é com ela com quem devemos ficar. Toda vez que ela sorri para mim ou me olha com aqueles olhinhos lindos e fofos, eu fico maluco!!
— Ok... Mas eu não.
O Coração se indigna:
— Como não?!
— Não sei. Aliás, não sei de nada. Aliás, só sei que nada sei.
O coração tenta se acalmar. Quando consegue, faz a pergunta que tanto o incomoda:
— O que você sente, então?
A Razão para de analisar os papéis sobre a mesa e resolve falar tudo sem rodeios, ser direta ao ponto, para não deixar nenhuma dúvida no ar.
— Sinto que não dará certo e que deveríamos esquecê-la agora, pois se ficarmos adiando, será muito pior para nós dois.
— Mas esquecê-la sem ao menos tentar? Razão, você não está pensando direito!
— Não, você não está entendendo, Coração... Sou eu que penso aqui.
— Não podemos fazer isso! Temos que tentar!
— Eu já disse: Sinto que não dará certo. Ela nunca nos corresponderá, coloque isso na sua cabeça! E eu não estou a fim de perder essa amizade, tão boa que construímos até aqui.
O Coração, não acreditando no que acaba de ouvir, explode de raiva.
— Não importa o que você diga, estou nem aí! Eu vou continuar batendo cada vez mais rápido quando vê-la.
— Não pode fazer isso! Não me desobedeça, Coração, será melhor para nós dois.
— Você não manda em mim!
A Razão abriu a boca para retrucar, mas não havia nada para rebater. Só restava concordar com ele.
— É... Desta vez, você tem toda a razão.

Felipe Ferreira

Tuesday, 28 July 2015

A nova garota da sala. Parte IV

7/28/2015 0 Comments
Porque insistimos em nos apaixonar pelas pessoas erradas.



Foram várias as garotas que passaram diante de seus olhos.
Tantos olhares...
Tantos sorrisos...
Diferentes conversas com cada uma delas.
Ele apenas tinha um sério problema:
Achava que a vida era como The Sims,
Que todo grande namoro
Começava de uma grande amizade.
Mas quando ele se aproximava, decidido,
A fim de dizer toda a verdade,
A resposta era sempre a mesma de sempre:
— Somos apenas amigos. Não estrague isso.
Ele soltava um palavrão.
Não adiantava mudar, aquilo era dele,
A mesma armadilha plantada pelo seu coração.
Ele sempre tinha de se apaixonar por uma de suas amigas.
E tinha de dar errado. Ele sempre tinha de sofrer.
Ele sempre tinha de sair machucado.
E muitas dessas vezes, antes de ocorrer, ele já sabia do resultado.
— Não dará certo, a Razão, sábia, dizia.
Mas o seu coração, cego e acelerado, insistia.
— Ah, ela é bonita... Ela é uma garota legal...
E daí? Você vai sofrer, seu animal!
Tantos olhares...
Tantos sorrisos...
E o garoto ainda ficava perdidamente apaixonado,
Aflito, angustiado, sem saber o que fazer...
Justo por ela,
Justo por aquela,
Que não se importava, que não ligava, e que pouco se lixava
Para sua presença.
Enquanto a garota nova da sala,
Que o olhava e o admirava todos os dias,
Que passava o dia inteiro pensando nele,
Que à noite, por sua causa, mal dormir conseguia...
Esta igualmente sofria,
Agarrada ao amor platônico
A quem muito bem o garoto conhecia.
Felipe Ferreira
Parte III << Leia >> Parte V

Saturday, 25 July 2015

Estou te esperando

7/25/2015 0 Comments

Chegue,
Chegue mais,
Ajunte-se ao calor do meu corpo.
Fique aqui, comigo, no silêncio.
Não precisa dizer nada.
Está tudo bem. A sua presença basta.
Chegue,
Chegue mais perto,
Faça nossos braços se tocarem,
Mesmo que seja apenas por um instante.
Quero dizer o quanto você é importante.
Chegue,
Um centímetro de distância é muito longe,
Dê mais um passo,
Aproxime-se mais.
Encoste seus ouvidos em minha boca,
Deixe-me dizer o que estou sentindo.
Chegue,  
Quero lhe mostrar esse olhar,
Quero fazer com que perceba todo este amor!
Chegue,
Chegue mais e mais! Venha!
Venha para os meus braços
Braços de quem quer te ver bem.
Deixe-me fazer você se sentir segura.
Mostre-me esse seu sorriso mais uma vez,
E coloque aquela paz em mim,
A qual só você consegue colocar.

Felipe Ferreira

Friday, 17 July 2015

Manhã - Parte I

7/17/2015 0 Comments
Café da manhã



Hoje, quando acordei, decidi fazer um café da manhã.
Não aquele, cotidiano, chato, fraco. O café da manhã.
Pensei comigo mesmo: como seria esse café da manhã?
Não tive respostas.
Parti para o improviso. Ao avistar o Toddy, passou-me a ideia mais insana que já tive: e se, por apenas um dia, eu usasse duas colheres rasas de Toddy ao invés de apenas uma?
Nunca ousei. Ninguém ousa usar duas colheres do doce achocolatado em apenas um copo de leite.
Ousaria, eu, passar a risca?
Quem mais, neste mundo, teria a ousadia de fazer isso?
A resposta veio clara em minha mente, apenas uma pessoa: eu.
Foi quando tomei todas as atitudes necessárias pra que a minha criação viesse à realidade.
Copo médio de vidro. 250mls de leite integral. DUAS colheres de achocolatado.
Fiz a mistura e a fiz criar vida, fazendo movimentos rotativos com uma colher de sopa.
Lágrimas caiam do meu rosto ao ver que eu havia sucedido no experimento.
Ao beber, notei extrema doçura em um copo único de leite.
Enjoei.
Joguei Fora.

[Mikio]


Thursday, 16 July 2015

A garota nova da sala. Parte III

7/16/2015 0 Comments
Ela até pode não ligar para isso. Mas é uma grande vantagem.



Ela tinha uma paixão absurdamente anormal pela música.
E ele sempre a via tocar e ficava admirado com seus dedos ágeis.
“Um dia espero tocar como ela”, o garoto dizia a si mesmo.
Ela era boa em muitas coisas que iam além daquilo,
Sim, mas música era vida. Música era tudo.
E ser uma musicista a tornava uma garota especial.
Não mais uma garota comum. Tocar não era uma simples habilidade.
E a música estava no seu sangue, ele podia enxergar.
O garoto fez um desejo no silêncio.
Desejou ser tão bom quanto ela, para um dia poder impressioná-la.
Passou dia estudando as notas, dias estudando aquele instrumento.
Passou a dar o melhor de si em algo que nunca imaginou fazer antes.
Ele podia fazer aquilo.
— Vou compor uma música.
Afinal, que garota resistiria àquela forma de amor?
Uma música só para ela... Uma música que falasse tudo o que sentia...
O garoto trabalhou duro nisso, todos os dias.
Noites em claro... Ele mal dormia.
Mas no final tudo valeria a pena. Ele sabia.
Só não entendia como tal paixão pode surgir assim, do nada.
— Mas nada surge do nada, surge?
Ele por muitas vezes ficava confuso.
Porém, não desistiu. Continuou compondo sua melodia.
Ela ficava melhor a cada dia.
O garoto queria uma obra-prima. Porque era isso o que ela merecia.
— Algo perfeito para a garota perfeita.
E depois de dias após dias de trabalho, ele finalmente descansou.
A música estava feita. Pronta para ser ouvida.
Ele por um instante se lembrou daquele sorriso...
Daqueles olhos...
Queria-os o mais depressa possível.
Esperou pelo dia perfeito e pela hora certa.
Nada poderia dar errado.
Nada poderia falhar.
Aquela garota teria de ser surpreendida,
Ficar admirada,
E então se alegrar.
Afinal, era a música perfeita...
— A música perfeita...
Então por que é que tinha tanto medo?
O garoto se lembrou de suas outras decepções amorosas,
De suas falhas...
Daria certo, afinal?
Chegou a dúvida.
Juntamente com ela, o dia e a hora marcada.
Ela olhou para ele com aqueles olhos meigos.
Ela sorriu com aquele sorriso que o encantara da primeira vez.
“Quando é que ela ficara tão bonita?”
“Ela sempre foi”.
O instrumento estava em suas mãos...
As luzes apontavam para ele...
Tudo o que tinha de fazer era cantar para ela.
Mas a garota passou direto.
Não olhava para ele, afinal.
Não sorria para ele, afinal.
“Como você está linda”, o outro cara disse.
“Obrigada”.
E ela entrou em seu carro, indo embora para sempre...
Não tinha o que mais fazer
Os garotos de quatro rodas sempre ganhavam.
Ele, então, pegou a sua canção e a guardou,
Bem lá no fundo, onde ninguém podia chegar,
Senão ele.
Aquela canção não seria ouvida por mais ninguém.

Felipe Ferreira